Carcinoma de Células Escamosas da Vagina

Publicado em 26 de Junho de 2026 • 20 min de leitura • Beatriz Oliveira

Ilustração médica sobre o carcinoma de células escamosas da vagina
O diagnóstico precoce aumenta as chances de tratamento bem-sucedido e preserva a qualidade de vida.

O carcinoma de células escamosas da vagina é o tipo mais frequente de câncer vaginal primário, representando aproximadamente 80% a 90% dos casos diagnosticados.

Apesar de raro quando comparado a outros tumores ginecológicos, como o câncer do colo do útero e o câncer de endométrio, trata-se de uma doença que exige diagnóstico precoce para aumentar as chances de tratamento bem-sucedido e preservar a qualidade de vida da paciente.

Grande parte das mulheres nunca ouviu falar sobre esse tipo de câncer. Isso ocorre porque sua incidência é baixa e porque os sintomas iniciais costumam ser discretos, fazendo com que muitas pacientes descubram a doença apenas durante uma consulta ginecológica de rotina ou após investigação de um sangramento vaginal anormal.

Nos últimos anos, o avanço dos programas de vacinação contra o HPV, o maior acesso aos exames preventivos e o acompanhamento ginecológico periódico têm contribuído para reduzir o desenvolvimento de lesões precursoras relacionadas ao carcinoma de células escamosas vaginal.

O que é o carcinoma de células escamosas da vagina?

A vagina é revestida internamente por um tecido formado por células escamosas. Essas células atuam como uma barreira de proteção e sofrem renovação constante ao longo da vida.

Em determinadas situações, principalmente quando ocorre infecção persistente pelo Papilomavírus Humano (HPV), algumas dessas células podem sofrer alterações genéticas progressivas. Quando essas alterações deixam de ser controladas pelo organismo, inicia-se um processo de crescimento desordenado que pode evoluir para um tumor maligno.

Na maioria dos casos, essa transformação ocorre lentamente ao longo de vários anos, passando inicialmente por lesões pré-cancerígenas conhecidas como Neoplasia Intraepitelial Vaginal (VaIN). Esse período representa uma importante oportunidade para diagnóstico e tratamento antes que a doença se torne invasiva.

Epidemiologia

O câncer vaginal é considerado uma doença rara. Segundo dados internacionais, corresponde a cerca de 1% a 2% de todos os cânceres ginecológicos, sendo significativamente menos frequente que os tumores do colo uterino, ovário ou endométrio.

O carcinoma de células escamosas responde por aproximadamente 8 a cada 10 casos de câncer vaginal primário. A maioria dos diagnósticos ocorre em mulheres acima dos 60 anos, embora pacientes mais jovens também possam desenvolver a doença, especialmente quando apresentam infecção persistente pelos subtipos oncogênicos do HPV.

O envelhecimento da população, associado ao aumento da expectativa de vida, torna cada vez mais importante a conscientização sobre doenças ginecológicas menos conhecidas.

2%

Representatividade aproximada do câncer vaginal em relação a todos os cânceres ginecológicos.

Como esse câncer se desenvolve?

O carcinoma de células escamosas raramente surge de maneira abrupta. Antes do aparecimento do tumor invasivo, ocorre uma sequência de alterações celulares que podem permanecer silenciosas durante anos.

Inicialmente surgem pequenas modificações microscópicas nas células do revestimento vaginal. Essas alterações podem ser classificadas em diferentes graus de Neoplasia Intraepitelial Vaginal (VaIN), dependendo da profundidade do comprometimento celular.

Nem todas as lesões evoluem para câncer. Em algumas mulheres elas permanecem estáveis ou até desaparecem espontaneamente, principalmente quando o sistema imunológico consegue eliminar a infecção pelo HPV. Entretanto, quando as alterações persistem e não são diagnosticadas, existe a possibilidade de progressão para carcinoma invasivo. Esse comportamento reforça a importância das consultas periódicas com o ginecologista.

Principais fatores de risco

Diversos fatores podem contribuir para o desenvolvimento da doença. A infecção persistente pelos subtipos oncogênicos do HPV, especialmente HPV-16 e HPV-18, é considerada o principal fator associado ao carcinoma de células escamosas da vagina.

Além disso, o risco também aumenta em mulheres que apresentam:

  • Idade superior a 60 anos;
  • Tabagismo;
  • Imunossupressão ou infecção pelo HIV;
  • Transplante de órgãos;
  • Histórico de câncer do colo do útero ou lesões pré-cancerígenas;
  • Radioterapia prévia na pelve.

Embora esses fatores aumentem a probabilidade da doença, eles não significam que a paciente desenvolverá câncer obrigatoriamente.

Quais são os sintomas?

Nas fases iniciais, o carcinoma de células escamosas frequentemente não provoca sintomas. Quando a doença evolui, podem surgir manifestações como:

Sinais de Alerta

  • Sangramento vaginal fora do período menstrual ou após a menopausa;
  • Sangramento após relações sexuais;
  • Corrimento persistente;
  • Dor pélvica ou desconforto durante as relações íntimas;
  • Sensação de pressão na região vaginal;
  • Dificuldade para urinar ou alterações intestinais (em casos avançados).

Como esses sintomas também podem estar presentes em doenças benignas, somente a avaliação médica permite estabelecer o diagnóstico correto.

Como é realizado o diagnóstico?

O diagnóstico começa durante a consulta ginecológica. O exame físico permite avaliar a vagina e identificar áreas suspeitas que necessitam de investigação complementar.

Quando existe suspeita clínica, o ginecologista pode solicitar colposcopia, biópsia da lesão, ultrassonografia, ressonância magnética, tomografia computadorizada ou PET-CT para avaliar a extensão da doença. A confirmação definitiva depende sempre da análise anatomopatológica obtida por meio da biópsia.

Estadiamento FIGO

Estágio Descrição da Extensão
I O tumor está restrito apenas à parede vaginal.
II O tumor invadiu os tecidos paravaginais, mas não alcançou a parede pélvica.
III O câncer atingiu a parede pélvica e/ou os linfonodos.
IV Invasão da bexiga, reto ou metástases em órgãos distantes.

Tratamento

O tratamento depende de diversos fatores, incluindo estágio da doença, idade da paciente, localização do tumor e condições clínicas gerais. Nos casos iniciais, a cirurgia pode representar uma alternativa eficaz.

Em tumores mais extensos, a radioterapia associada à braquiterapia constitui uma das modalidades mais utilizadas. Dependendo da situação clínica, também pode ser indicada quimioterapia concomitante para potencializar os resultados do tratamento. A definição terapêutica deve sempre ser realizada por equipe multidisciplinar.

Possíveis complicações

Sem tratamento adequado, o carcinoma pode crescer progressivamente e comprometer estruturas próximas, incluindo bexiga, uretra, reto e tecidos da pelve. Essa evolução pode provocar dor intensa, sangramentos persistentes, infecções recorrentes e comprometimento significativo da qualidade de vida.

Como prevenir?

A vacinação contra o HPV representa atualmente a principal estratégia preventiva. A imunização protege contra os principais subtipos virais relacionados ao desenvolvimento de diversos cânceres ginecológicos.

Além da vacinação, recomenda-se manter consultas ginecológicas periódicas, abandonar o tabagismo, utilizar preservativos durante as relações sexuais e tratar adequadamente lesões precursoras.

Dados epidemiológicos

Embora raro, o câncer vaginal continua sendo um importante desafio em ginecologia oncológica. Estima-se que aproximadamente nove em cada dez tumores vaginais primários sejam carcinomas de células escamosas. A maior parte dos casos ocorre após a sexta década de vida.

O que dizem as diretrizes internacionais?

Sociedades científicas como a Federação Internacional de Ginecologia e Obstetrícia (FIGO), a National Comprehensive Cancer Network (NCCN) e a European Society of Gynaecological Oncology (ESGO) recomendam que o tratamento seja individualizado conforme o estadiamento e localização do tumor.

Linha do tempo do diagnóstico

  1. Consulta de rotina ou surgimento de sintomas discretos;
  2. Identificação de alterações no exame físico ou colposcopia;
  3. Realização de biópsia para confirmação;
  4. Exames de imagem para estadiamento completo;
  5. Definição do plano terapêutico multidisciplinar.

Quando procurar atendimento médico?

Qualquer sangramento vaginal após a menopausa, sangramento após relações sexuais, corrimento persistente ou dor pélvica sem causa conhecida deve motivar avaliação ginecológica imediata.

Se você precisa de uma avaliação especializada, conheça nossa Clínica de Ginecologia em Salvador.

Transparência Editorial

Compartilhar
Publicação Original 26 de Junho de 2026
Última Revisão Editorial Junho de 2026
Escrito por Beatriz Oliveira