Se você notou corrimento verde ou amarelo-esverdeado na calcinha, saiba que esse é um sinal claro de que sua saúde íntima precisa de atenção médica. Neste guia completo explicamos por que a coloração surge, quais infecções estão por trás e como o tratamento correto é feito.
Diferente de secreções transparentes, esbranquiçadas ou levemente amareladas por oxidação, o corrimento verde nunca é fisiológico. Ele indica uma infecção ativa que exige diagnóstico ginecológico e terapia adequada.
Vamos explicar a ciência por trás do pigmento verde, as principais causas, os sintomas que não podem ser ignorados e as condutas médicas comprovadas para preservar sua saúde reprodutiva.
Por que o corrimento fica verde? A explicação científica
Para entender a coloração verde, precisamos olhar para a resposta imunológica do corpo. Quando um microrganismo agressor invade a vagina ou o colo do útero, o organismo mobiliza leucócitos, especialmente os neutrófilos, para combater a infecção.
Esses neutrófilos contêm a enzima mieloperoxidase, rica em ferro, que carrega um pigmento naturalmente esverdeado. Quando os glóbulos brancos morrem após a batalha contra o agente invasor, eles se misturam a detritos celulares e a bactérias, formando pus.
Na prática, isso significa que quanto mais intensa for a inflamação e a infecção, maior será a concentração de pus no corrimento — e mais escuro e esverdeado ele ficará.
As principais causas do Corrimento Verde
Na ginecologia, o corrimento esverdeado está quase sempre associado a três condições principais:
1. Tricomoníase
A tricomoníase é uma Infecção Sexualmente Transmissível (IST) causada pelo protozoário unicelular Trichomonas vaginalis. É a causa mais comum do corrimento verde.
- Aspecto do corrimento: abundante, amarelo-esverdeado ou verde claro, com textura espumosa ou bolhosa.
- Odor: cheiro forte, fétido e muito desagradável, frequentemente descrito como peixe podre.
- Sintomas adicionais: coceira intensa na vulva e na vagina, vermelhidão local, ardência ao urinar e dor profunda durante a relação sexual.
- Dados globais: segundo a OMS, a tricomoníase é a IST não viral mais comum do mundo, com mais de 156 milhões de novos casos por ano.
2. Clamídia e Gonorréia (Cervicites)
A clamídia (Chlamydia trachomatis) e a gonorréia (Neisseria gonorrhoeae) atacam principalmente o colo do útero e podem causar corrimento esverdeado ou amarelo-escuro.
- Aspecto do corrimento: mucoso, espesso, de cor amarelo-escura ou esverdeada, semelhante a catarro.
- Perigo silencioso: de 70% a 80% das mulheres com clamídia podem ser assintomáticas nas fases iniciais, fazendo do corrimento o único sinal perceptível.
3. Vaginose Bacteriana Avançada (Infecção Mista)
A vaginose bacteriana costuma produzir corrimento branco-acinzentado. Mas em casos graves ou quando há infecção mista com múltiplas bactérias, a secreção pode assumir tom cinza-esverdeado, acompanhada de odor intenso de peixe.
Esse tipo de quadro é sinal de que o desequilíbrio da flora vaginal evoluiu para uma inflamação mais complexa.
Tabela Comparativa de Sintomas
| Condição | Coloração Típica | Consistência | Odor | Sintomas Associados |
|---|---|---|---|---|
| Tricomoníase | Verde / Amarelo-esverdeado | Espumosa ou com bolhas | Muito forte e fétido | Coceira intensa, vermelhidão vulvar, dor no sexo. |
| Clamídia / Gonorréia | Amarelo-escuro / Esverdeado | Espessa, purulenta (tipo pus) | Desagradável discreto | Dor pélvica, sangramento após sexo, ardência ao urinar. |
| Vaginose Mista | Cinza-esverdeado | Fina e fluida | Forte cheiro de peixe | Desconforto leve, sem coceira marcante. |
Por que o corrimento verde é perigoso se não for tratado?
Negligenciar o corrimento verde ou tentar receitas caseiras ineficazes pode levar a complicações graves para a saúde reprodutiva.
- Doença Inflamatória Pélvica (DIP): bactérias como clamídia e gonorréia podem subir pelo trato genital, infectando útero, trompas e ovários.
- Infertilidade: inflamação crônica nas trompas causa cicatrizes e obstruções, e cerca de 12% das mulheres com DIP desenvolvem infertilidade definitiva.
- Gravidez ectópica: trompas danificadas podem impedir que o óvulo chegue ao útero, resultando em gravidez tubária perigosa.
- Maior risco de HIV: a inflamação deixa a mucosa vaginal cheia de microfissuras e aumenta em até 3 vezes o risco de infecção pelo HIV em relações sexuais desprotegidas.
Por que é importante não adiar
O corrimento verde costuma indicar uma infecção ativa. Quanto mais tempo sem tratamento, maior o risco de complicações pélvicas, infecções ascendentes e sequelas reprodutivas.
O que NÃO fazer ao notar o corrimento verde
- Não use pomadas para candidíase: cremes como miconazol, nistatina ou clotrimazol combatem apenas fungos. O corrimento verde é causado por bactérias ou protozoários.
- Não faça duchas vaginais: lavar internamente pode empurrar os agentes infecciosos para dentro do útero, aumentando o risco de DIP.
- Não use sabonetes perfumados ou antissépticos: eles alteram o pH vaginal e eliminam os lactobacilos protetores restantes.
Como é feito o tratamento correto?
O tratamento do corrimento verde é feito com medicamentos prescritos pelo ginecologista, dirigidos ao microrganismo causador.
- Tricomoníase: tratamento padrão com antiprotozoários orais, como metronidazol em dose única de 2g ou em esquema de 7 dias, ou secnidazol.
- Clamídia e gonorréia: geralmente envolve uma injeção única de ceftriaxona para gonorréia, associada a azitromicina ou doxiciclina por via oral para clamídia.
Tratamento do parceiro
Por se tratar de ISTs, o parceiro sexual fixo ou recente também deve ser tratado ao mesmo tempo. Sem isso, há alto risco de reinfecção no primeiro contato íntimo após o seu tratamento.
Quando procurar atendimento médico de urgência?
Procure pronto-atendimento imediatamente se o corrimento verde vier acompanhado de:
- Febre acima de 38°C ou calafrios
- Dor forte e constante no baixo ventre
- Náuseas ou vômitos
- Sangramento vaginal fora do período menstrual
Esses sinais podem indicar que a infecção se espalhou para a cavidade abdominal, exigindo cuidados mais intensivos e administração de antibióticos na veia.
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