Corrimento Verde: O que Significa, Causas, Sintomas e Tratamento

Publicado em 18 de Julho de 2026 • 10 min de leitura • Beatriz Oliveira

Corrimento verde: infecção vaginal e sinais de atenção clínica
Corrimento verde ou amarelo-esverdeado indica inflamação e quase sempre exige diagnóstico ginecológico e tratamento.

Se você notou corrimento verde ou amarelo-esverdeado na calcinha, saiba que esse é um sinal claro de que sua saúde íntima precisa de atenção médica. Neste guia completo explicamos por que a coloração surge, quais infecções estão por trás e como o tratamento correto é feito.

Diferente de secreções transparentes, esbranquiçadas ou levemente amareladas por oxidação, o corrimento verde nunca é fisiológico. Ele indica uma infecção ativa que exige diagnóstico ginecológico e terapia adequada.

Vamos explicar a ciência por trás do pigmento verde, as principais causas, os sintomas que não podem ser ignorados e as condutas médicas comprovadas para preservar sua saúde reprodutiva.

Por que o corrimento fica verde? A explicação científica

Para entender a coloração verde, precisamos olhar para a resposta imunológica do corpo. Quando um microrganismo agressor invade a vagina ou o colo do útero, o organismo mobiliza leucócitos, especialmente os neutrófilos, para combater a infecção.

Esses neutrófilos contêm a enzima mieloperoxidase, rica em ferro, que carrega um pigmento naturalmente esverdeado. Quando os glóbulos brancos morrem após a batalha contra o agente invasor, eles se misturam a detritos celulares e a bactérias, formando pus.

Na prática, isso significa que quanto mais intensa for a inflamação e a infecção, maior será a concentração de pus no corrimento — e mais escuro e esverdeado ele ficará.

As principais causas do Corrimento Verde

Na ginecologia, o corrimento esverdeado está quase sempre associado a três condições principais:

1. Tricomoníase

A tricomoníase é uma Infecção Sexualmente Transmissível (IST) causada pelo protozoário unicelular Trichomonas vaginalis. É a causa mais comum do corrimento verde.

  • Aspecto do corrimento: abundante, amarelo-esverdeado ou verde claro, com textura espumosa ou bolhosa.
  • Odor: cheiro forte, fétido e muito desagradável, frequentemente descrito como peixe podre.
  • Sintomas adicionais: coceira intensa na vulva e na vagina, vermelhidão local, ardência ao urinar e dor profunda durante a relação sexual.
  • Dados globais: segundo a OMS, a tricomoníase é a IST não viral mais comum do mundo, com mais de 156 milhões de novos casos por ano.

2. Clamídia e Gonorréia (Cervicites)

A clamídia (Chlamydia trachomatis) e a gonorréia (Neisseria gonorrhoeae) atacam principalmente o colo do útero e podem causar corrimento esverdeado ou amarelo-escuro.

  • Aspecto do corrimento: mucoso, espesso, de cor amarelo-escura ou esverdeada, semelhante a catarro.
  • Perigo silencioso: de 70% a 80% das mulheres com clamídia podem ser assintomáticas nas fases iniciais, fazendo do corrimento o único sinal perceptível.

3. Vaginose Bacteriana Avançada (Infecção Mista)

A vaginose bacteriana costuma produzir corrimento branco-acinzentado. Mas em casos graves ou quando há infecção mista com múltiplas bactérias, a secreção pode assumir tom cinza-esverdeado, acompanhada de odor intenso de peixe.

Esse tipo de quadro é sinal de que o desequilíbrio da flora vaginal evoluiu para uma inflamação mais complexa.

Tabela Comparativa de Sintomas

Condição Coloração Típica Consistência Odor Sintomas Associados
Tricomoníase Verde / Amarelo-esverdeado Espumosa ou com bolhas Muito forte e fétido Coceira intensa, vermelhidão vulvar, dor no sexo.
Clamídia / Gonorréia Amarelo-escuro / Esverdeado Espessa, purulenta (tipo pus) Desagradável discreto Dor pélvica, sangramento após sexo, ardência ao urinar.
Vaginose Mista Cinza-esverdeado Fina e fluida Forte cheiro de peixe Desconforto leve, sem coceira marcante.

Por que o corrimento verde é perigoso se não for tratado?

Negligenciar o corrimento verde ou tentar receitas caseiras ineficazes pode levar a complicações graves para a saúde reprodutiva.

  • Doença Inflamatória Pélvica (DIP): bactérias como clamídia e gonorréia podem subir pelo trato genital, infectando útero, trompas e ovários.
  • Infertilidade: inflamação crônica nas trompas causa cicatrizes e obstruções, e cerca de 12% das mulheres com DIP desenvolvem infertilidade definitiva.
  • Gravidez ectópica: trompas danificadas podem impedir que o óvulo chegue ao útero, resultando em gravidez tubária perigosa.
  • Maior risco de HIV: a inflamação deixa a mucosa vaginal cheia de microfissuras e aumenta em até 3 vezes o risco de infecção pelo HIV em relações sexuais desprotegidas.

Por que é importante não adiar

O corrimento verde costuma indicar uma infecção ativa. Quanto mais tempo sem tratamento, maior o risco de complicações pélvicas, infecções ascendentes e sequelas reprodutivas.

O que NÃO fazer ao notar o corrimento verde

  1. Não use pomadas para candidíase: cremes como miconazol, nistatina ou clotrimazol combatem apenas fungos. O corrimento verde é causado por bactérias ou protozoários.
  2. Não faça duchas vaginais: lavar internamente pode empurrar os agentes infecciosos para dentro do útero, aumentando o risco de DIP.
  3. Não use sabonetes perfumados ou antissépticos: eles alteram o pH vaginal e eliminam os lactobacilos protetores restantes.

Como é feito o tratamento correto?

O tratamento do corrimento verde é feito com medicamentos prescritos pelo ginecologista, dirigidos ao microrganismo causador.

  • Tricomoníase: tratamento padrão com antiprotozoários orais, como metronidazol em dose única de 2g ou em esquema de 7 dias, ou secnidazol.
  • Clamídia e gonorréia: geralmente envolve uma injeção única de ceftriaxona para gonorréia, associada a azitromicina ou doxiciclina por via oral para clamídia.

Tratamento do parceiro

Por se tratar de ISTs, o parceiro sexual fixo ou recente também deve ser tratado ao mesmo tempo. Sem isso, há alto risco de reinfecção no primeiro contato íntimo após o seu tratamento.

Quando procurar atendimento médico de urgência?

Procure pronto-atendimento imediatamente se o corrimento verde vier acompanhado de:

  • Febre acima de 38°C ou calafrios
  • Dor forte e constante no baixo ventre
  • Náuseas ou vômitos
  • Sangramento vaginal fora do período menstrual

Esses sinais podem indicar que a infecção se espalhou para a cavidade abdominal, exigindo cuidados mais intensivos e administração de antibióticos na veia.

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Publicação Original 18 de Julho de 2026
Última Revisão Editorial Julho de 2026
Escrito por Beatriz Oliveira
Revisão Clínica Conselho Editorial Gineco Expert
Revisor Médico Equipe Gineco Expert