Diferenças entre DIU de Cobre, Prata, Mirena e Kyleena

Publicado em 8 de Setembro de 2026 • 14 min de leitura • Beatriz Oliveira

Comparação entre DIU de cobre e DIU hormonal para contracepção
Os DIUs têm alta eficácia, mas diferem na presença de hormônio, duração e impacto sobre a menstruação.

Os Dispositivos Intrauterinos estão entre os métodos contraceptivos reversíveis de longa duração mais eficazes. A escolha entre cobre, cobre com prata, Mirena e Kyleena depende do seu ciclo, da anatomia uterina, do histórico de saúde e do que você espera do método.

Embora todos sejam colocados dentro do útero e ofereçam proteção prolongada contra a gravidez, eles não são equivalentes. Alguns não têm hormônios e podem aumentar o fluxo; outros liberam levonorgestrel e tendem a reduzir o sangramento e as cólicas.

Neste guia, você encontra as principais diferenças para chegar à consulta ginecológica mais bem informada. A decisão final precisa ser individualizada por um profissional habilitado.

Os dois grandes grupos de DIU

Os modelos comparados pertencem a dois grupos:

  1. DIUs não hormonais: usam cobre ou uma combinação de cobre e prata. Não liberam hormônios e, em geral, preservam a ovulação e o padrão hormonal natural.
  2. DIUs hormonais ou SIUs: liberam levonorgestrel de forma contínua, principalmente dentro do útero. O efeito costuma ser mais intenso sobre o endométrio e o muco do colo uterino.

O que todos têm em comum?

São métodos reversíveis, não protegem contra infecções sexualmente transmissíveis e precisam ser inseridos e retirados por profissional de saúde. A fertilidade costuma retornar rapidamente após a retirada, mas o método escolhido deve respeitar as condições clínicas de cada pessoa.

1. DIU de Cobre: a opção sem hormônios

O DIU de cobre envolve uma haste plástica com fio ou cilindros de cobre. Os íons liberados pelo metal provocam uma reação local que dificulta a movimentação e a sobrevivência dos espermatozoides, reduzindo a chance de fecundação.

  • Hormônios: não possui.
  • Menstruação: pode aumentar o volume e a duração do sangramento, principalmente nos primeiros meses.
  • Cólicas: podem ficar mais intensas em algumas usuárias.
  • Duração: depende do modelo e da aprovação regulatória; pode chegar a 10 anos em alguns dispositivos.
  • Perfil que pode se beneficiar: quem deseja evitar hormônios e já apresenta fluxo leve ou moderado, sem cólicas importantes.

2. DIU de Cobre com Prata: uma alternativa não hormonal

Esse modelo combina cobre e prata no elemento metálico. A prata é utilizada para reduzir a oxidação do cobre e melhorar características do material. A experiência com fluxo e cólicas varia conforme o dispositivo e a resposta individual.

  • Hormônios: não possui.
  • Possível diferencial: alguns modelos são desenvolvidos para uma adaptação menstrual mais confortável que a do cobre convencional, mas isso não garante ausência de aumento do fluxo.
  • Duração: costuma ser de até 5 anos, conforme o produto.
  • Perfil que pode se beneficiar: quem quer um método não hormonal, mas deseja discutir uma alternativa ao cobre puro.

É importante conferir a marca e a autorização sanitária do produto, porque composição, formato, tamanho e duração não são iguais entre todos os dispositivos de cobre com prata.

3. DIU Mirena: levonorgestrel em dose de 52 mg

O Mirena é um Sistema Intrauterino (SIU) que contém 52 mg de levonorgestrel. O hormônio espessa o muco cervical e deixa o endométrio mais fino, reduzindo o sangramento ao longo da adaptação.

  • Liberação hormonal: aproximadamente 20 microgramas por dia no início, com redução progressiva ao longo do uso.
  • Menstruação: tende a diminuir bastante; algumas mulheres deixam de menstruar após a adaptação, enquanto outras mantêm escapes ou sangramento leve.
  • Cólicas: geralmente diminuem, sobretudo quando estão relacionadas ao fluxo intenso.
  • Duração: até 8 anos para contracepção, conforme aprovação vigente.
  • Possíveis usos terapêuticos: pode ser indicado no controle de sangramento uterino intenso e cólicas, de acordo com a avaliação médica.
>99% Os DIUs estão entre os métodos reversíveis mais eficazes para evitar a gravidez quando corretamente inseridos e acompanhados.

4. DIU Kyleena: levonorgestrel em dose de 19,5 mg

O Kyleena também é um SIU de levonorgestrel, mas tem carga hormonal menor e dimensões reduzidas em comparação ao Mirena. Essa diferença pode ser relevante para algumas pacientes, embora não determine sozinha qual método será mais confortável.

  • Liberação hormonal: aproximadamente 12 microgramas por dia no início.
  • Menstruação: tende a reduzir o fluxo, mas a amenorreia é menos frequente do que com o SIU de 52 mg; escapes podem ocorrer na adaptação.
  • Cólicas: podem melhorar, embora a resposta varie.
  • Duração: até 5 anos para contracepção.
  • Perfil que pode se beneficiar: quem deseja um SIU menor e com menor carga hormonal, desde que não haja contraindicação.

Tabela comparativa: Cobre, Prata, Mirena e Kyleena

Característica DIU de Cobre Cobre + Prata Mirena Kyleena
HormônioNãoNãoLevonorgestrel, 52 mgLevonorgestrel, 19,5 mg
DuraçãoAté 5 a 10 anos, conforme modeloGeralmente até 5 anosAté 8 anosAté 5 anos
Efeito no fluxoPode aumentarVaria; pode aumentarGeralmente reduz bastanteGeralmente reduz
Efeito nas cólicasPodem aumentarVaria na adaptaçãoFrequentemente reduzPode reduzir
OvulaçãoGeralmente mantidaGeralmente mantidaPode ocorrerPode ocorrer
Ação terapêuticaNão é a finalidadeNão é a finalidadePode ajudar no sangramento intensoFoco principal contraceptivo
Indicação práticaEvitar hormôniosEvitar hormônios com alternativa de liga metálicaFluxo intenso e cólicas, quando indicadoMenor dispositivo e menor carga hormonal

Como escolher o DIU mais adequado?

Não existe um DIU universalmente melhor. A escolha costuma considerar quatro perguntas:

  1. Como é seu fluxo? Fluxos muito intensos ou anemia podem tornar os modelos de cobre menos atraentes.
  2. Você pode ou quer usar hormônio? Histórico de câncer de mama, doença hepática, sangramento sem investigação e outras condições precisam ser avaliados antes de escolher um SIU.
  3. Quais são suas cólicas e objetivos? Mirena pode ser considerado quando a redução do sangramento é uma prioridade.
  4. Como é sua cavidade uterina? Ultrassonografia e exame ginecológico ajudam a avaliar tamanho, formato e condições para inserção segura.

Um mapa rápido para a conversa com a ginecologista

  • Cobre: pode fazer sentido para quem deseja contracepção sem hormônio e tem fluxo tolerável.
  • Cobre com prata: pode ser discutido por quem busca uma alternativa não hormonal, respeitando as características do produto.
  • Mirena: pode ser uma opção quando reduzir sangramento e cólicas é importante.
  • Kyleena: pode ser considerado quando se busca um SIU menor e com menor carga hormonal.

Inserção, acompanhamento e sinais de alerta

A inserção é feita em consultório ou serviço de saúde, após avaliação clínica. Cólicas e pequenos sangramentos podem ocorrer nos primeiros dias. O retorno e a necessidade de ultrassonografia dependem da avaliação do profissional e dos sintomas.

Procure atendimento

  • Dor pélvica intensa ou que piora depois da inserção;
  • Febre, calafrios ou corrimento com odor forte;
  • Sangramento muito intenso, tontura ou desmaio;
  • Teste de gravidez positivo durante o uso do DIU;
  • Suspeita de expulsão ou mudança importante no comprimento dos fios.

Próximos passos para uma decisão segura

Antes de escolher, anote como é seu ciclo, a intensidade das cólicas, doenças e medicamentos em uso, experiências anteriores com anticoncepcionais e seus planos reprodutivos. Essas informações ajudam a tornar a conversa mais objetiva.

O DIU não protege contra infecções sexualmente transmissíveis; o preservativo continua importante quando houver risco de exposição. Para uma avaliação individual, conheça a clínica ginecológica parceira em Salvador. Você também pode comparar este conteúdo com o nosso guia sobre DIU Mirena ou DIU de Cobre e consultar os efeitos do DIU Mirena.

Transparência Editorial

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Publicação Original 8 de Setembro de 2026
Última Revisão Editorial Setembro de 2026
Escrito e revisado por Beatriz Oliveira