Corrimento espesso nem sempre é uma infecção. Saiba reconhecer quando ele faz parte do ciclo hormonal e quando é hora de investigar candidíase.
Notar uma secreção grossa, densa ou espessa na calcinha é uma experiência comum. A textura do corrimento vaginal muda quase diariamente e reflete as flutuações hormonais do ciclo menstrual.
Mas a linha entre o corrimento espesso saudável e aquele que indica infecção é sutil. A diferença está em observar cor, cheiro e, principalmente, se há coceira.
O lado saudável: o corrimento espesso fisiológico
Durante um ciclo saudável, os hormônios sobem e descem. O corrimento espesso é normal quando ocorre sob a ação da progesterona.
A fase pós-ovulatória (fase lútea)
Logo após a ovulação, o corpo lúteo produz grandes quantidades de progesterona. Esse hormônio tem a missão de "fechar" o colo do útero para proteger uma possível gravidez, tornando o muco cervical espesso, opaco, denso e pastoso.
Esse tipo de corrimento costuma ser branco-leitoso ou levemente amarelado, com textura lisa, sem cheiro ruim e sem coceira ou ardência.
O lado patológico: quando o corrimento espesso é sinal de infecção?
Se a secreção é grossa e apresenta aspecto grumoso, a causa mais provável é a candidíase vaginal.
A candidíase é uma infecção oportunista causada pelo fungo Candida, principalmente a Candida albicans. Ele vive naturalmente na flora vaginal em pequenas quantidades, mas pode proliferar quando a imunidade cai ou a região fica abafada.
Os sintomas da candidíase
- Textura coalhada: o corrimento perde a suavidade e fica grumoso, pedaçoso, parecido com leite coalhado ou queijo cottage.
- Coceira extrema: o principal sintoma, intenso, persistente e piora à noite.
- Sintomas inflamatórios: vulva vermelha, inchada, quente e dolorida ao toque ou durante o sexo.
- Odor: geralmente não há cheiro forte; o corrimento pode ter odor levemente adocicado ou de fermento.
| Critério | Corrimento Espesso Saudável (Progesterona) | Corrimento Espesso da Candidíase (Fungo) |
|---|---|---|
| Consistência | Lisa, homogênea, pastosa ou cremosa. | Grumosa, pedaçosa, semelhante a leite coalhado. |
| Coceira | Totalmente inexistente. | Intensa, constante e incômoda. |
| Aparência da vulva | Coloração rosada normal. | Vermelha, inchada e muito sensível. |
| Sensação local | Conforto total. | Ardência ao urinar e dor nas relações sexuais. |
| Odor | Neutro ou levemente ácido. | Praticamente sem cheiro ou odor suave de fermento. |
Como tratar o corrimento espesso da candidíase?
Se os sinais apontam para candidíase, o tratamento envolve antifúngicos prescritos pelo ginecologista ou recomendados pelo farmacêutico.
- Cremes ou óvulos vaginais: medicamentos como miconazol, clotrimazol, nistatina ou fenticonazol aplicados profundamente no canal vaginal antes de dormir, de 3 a 14 noites consecutivas.
- Antifúngicos orais: fluconazol 150mg em dose única é uma opção prática, especialmente se houver irritação externa severa.
Dicas práticas para evitar umidade e fungos
- Evite protetores diários de calcinha: eles abafam a região íntima e criam um ambiente quente e úmido para fungos.
- Prefira calcinhas de algodão e evite tecidos sintéticos como lycra e microfibra.
- Durma sem calcinha: isso ventilação a região pélvica e reduz a recorrência de candidíase.
- Reduza o consumo de açúcar: dietas ricas em carboidratos simples e doces podem alimentar os fungos.
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